África sente alívio nos preços dos combustíveis com possível fim da guerra entre EUA e Irã

África começa a vislumbrar um alívio na crise de combustíveis que atravessa o continente há meses, depois de o petróleo ter recuado para níveis abaixo dos 80 dólares o barril, valor mais baixo registado desde março, na sequência de sinais de aproximação entre Estados Unidos e Irã. O Goldman Sachs reviu em baixa as suas previsões para o preço do Brent, antecipando agora que as exportações do Golfo regressem aos níveis anteriores à guerra ainda antes do final de julho.

A crise teve origem em fevereiro, quando o conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos levou ao encerramento do Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito. A interrupção foi descrita pela Agência Internacional de Energia como a maior disrupção alguma vez registada no mercado petrolífero global, provocando uma escalada acentuada nos preços que se fez sentir com particular intensidade em África, continente fortemente dependente da importação de produtos refinados.

Vários países africanos viram-se obrigados a subir os preços dos combustíveis nas últimas semanas. No Quénia, o preço do litro de diesel chegou a aumentar 24% durante a guerra, ultrapassando 1,60 dólares, com impacto directo no quotidiano da população. Na África do Sul, o aumento de preços foi parcialmente atenuado pelo governo através de um corte temporário no imposto sobre combustíveis, medida que custou ao Estado cerca de seis mil milhões de rands em receita perdida. Já o Reino de Essuatíni foi o primeiro país da região a anunciar formalmente subidas, justificando a decisão com as tensões geopolíticas no Médio Oriente.

Segundo analistas citados pela Al Jazeera, o impacto da crise tem sido desigual entre as nações africanas: países exportadores de petróleo beneficiaram de receitas inesperadas, enquanto economias dependentes de importações, como o Quénia, enfrentam défices crescentes e custos elevados com subsídios, podendo este último recorrer a um empréstimo de até 600 milhões de dólares junto do Banco Mundial para proteger a sua economia.

Os primeiros indícios de um acordo entre Washington e Teerão apontam para a reabertura do estreito bloqueado e para a extensão do cessar-fogo por 60 dias, abrindo espaço para negociações sobre questões como o programa nuclear iraniano. Caso se confirme, o entendimento poderá libertar mais de 85 milhões de barris de petróleo retidos no Golfo Pérsico para os mercados internacionais, além de permitir o levantamento das sanções norte-americanas ao petróleo iraniano. Ainda assim, analistas alertam que a recuperação plena dos fluxos pelo estreito pode demorar vários meses, mantendo a cautela entre os mercados africanos que continuam a sentir os efeitos da crise no dia a dia das populações.

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